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As Mulheres na cultura védica.


Lakshmi, a deusa da fortuna.


Por Ramaputra das

Sacerdote, Empresário e Escritor.

Residente na Comunidade Nova Gokula.


A mulher era considerada a base do lar. Ela era chamada patni, aquela que lidera o marido pela vida; dharma-patni, aquela que guia o marido no dharma, e sahadharmacharini, aquela que segue com o marido no caminho do dharma. Isso era possível graças à educação material e espiritual que a mulher recebia, conforme ordenado no Atharva Veda, que diz que as meninas deveriam se tornar completamente eruditas antes de entrarem na vida familiar. Do mesmo modo, o Rig Veda declara: “Um veda, dois vedas ou quatro vedas, junto com ayurveda, dhanurveda, gandharva-veda etc., e junto com educação, kalpa, gramática, nirukti, astrologia, métrica, ou seja, os seis vedangas, devem ser conhecidos pela mulher de mente pura, que é como uma água pura e cristalina, e que dissemina esse conhecimento diversificado entre as pessoas.” Assim fica claro também o papel da mulher como instrutora não apenas dos filhos e conselheira do marido, mas também como fonte disseminadora do conhecimento para toda a sociedade. Algumas dessas mulheres optavam por se dedicarem integralmente ao estudo espiritual, permanecendo solteiras, as quais eram chamadas de brahmavadinis), enquanto outras optavam por serem educadas para uma vida de casada, o que incluía tanto o estudo espiritual quanto o estudo de deveres específicos de sua casta, de sua natureza (como manejar arco e flecha, dirigir quadrigas, realizar sacrifícios de fogo etc.), as quais eram chamadas de sadyovadhus.

É frequente as mulheres serem altamente louvadas pelas escrituras devido ao seu elevado caráter, inteligência e boas qualidades. De fato, há algumas histórias que descrevem mesmo esposas que enganam a morte ou a subjugam e, assim, salvam a vida de seus maridos. Sem falar nos acontecimentos desastrosos ocorridos devido a ofensas cometidas contra mulheres, como a guerra de Kurukshetra, a famosa batalha na qual Krishna falou a Bhagavad-gita e que foi deflagrada devido à ofensa dos Kauravas contra Draupadi, a esposa dos Pandavas, quando os primeiros tentaram despi-la em frente a uma assembleia.

Por outro lado, dentre as qualidades consideradas femininas, também se destacam o coração macio, fé e inocência, o que pode torná-las presas de pessoas com más intenções. E tanto por isso quanto por sua importância social e espiritual, às vezes as escrituras falam da necessidade das mulheres serem protegidas, assim como devem ser protegidos os brahmanas ou sacerdotes, as vacas, as crianças e os mais velhos. Os brahmanas são aqueles que fazem

parte da classe mais alta da sociedade e a quem todos prestam suas reverências, as crianças são o futuro da nação, os mais velhos são o reservatório de conhecimento, e as vacas são os animais mais sagrados, sem os quais não há sacrifícios religiosos, uma vez que a manteiga é um ingrediente essencial para isso. Quando se colocam esses elementos da sociedade e as mulheres na lista dos que devem ser protegidos, isso de maneira alguma é um atestado de incapacidade da mulher, mas, sim, uma prova de sua posição importante e elevada.

Por fim, tendo liberdade para trabalhar de acordo com sua natureza, para escolher seu companheiro, para escolher se quer casar ou permanecer solteira, se quer se dedicar à vida espiritual exclusivamente ou se dedicar ao cuidado da família, a máxima védica “que todos sejam felizes” aplica-se também, obviamente, à mulher. De qualquer modo, ela deve ser extremamente respeitada, seja como a base da família, a educadora dos filhos, a força e a conselheira do marido ou como aquela que é capaz de disseminar o conhecimento espiritual, que é uma governante sábia, ou que é parte essencial para a realização dos sacrifícios religiosos e, portanto, de todos os ritos pelos quais os seres humanos deveriam passar. Seja em qual posição for, o Manu-smriti (3.56-57), o livro das leis deixadas por Manu, o pai da humanidade, adverte: “Onde as mulheres são honradas, lá os deuses estão satisfeitos, mas onde as mulheres não são honradas, nenhum rito sagrado dá frutos. Onde as mulheres da família vivem tristes, a família logo perece completamente, mas a família onde elas são felizes, sempre prospera”.


Om Tat Sat!!!


Créditos: Kamalakshi Rupini Devi Dasi


Respeitadas as previsões legais com base na LGPD e direitos da propriedade intelectual informamos que o texto do colaborador não representa a opinião da Instituição.




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